Este é o blogue da Biblioteca da Escola Básica de Abação, concelho de Guimarães. Aqui podes ter acesso às atividades desenvolvidas na tua biblioteca, ver sugestões de leitura... e contribuir com a tua opinião.
Uma bola de pano, num charco Um sorriso traquina, um chuto Na ladeira a correr, um arco O céu no olhar, dum puto.
Uma fisga que atira a esperança Um pardal de calções, astuto E a força de ser criança Contra a força dum chui, que é bruto.
Parecem bandos de pardais à solta Os putos, os putos São como índios, capitães da malta Os putos, os putos Mas quando a tarde cai Vai-se a revolta Sentam-se ao colo do pai É a ternura que volta E ouvem-no a falar do homem novo São os putos deste povo A aprenderem a ser homens.
As caricas brilhando na mão A vontade que salta ao eixo Um puto que diz que não Se a porrada vier não deixo
Um berlinde abafado na escola Um pião na algibeira sem cor Um puto que pede esmola Porque a fome lhe abafa a dor.
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces Estendendo-me os braços, e seguros De que seria bom que eu os ouvisse Quando me dizem: "vem por aqui!" Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) E cruzo os braços, E nunca vou por ali... A minha glória é esta: Criar desumanidades! Não acompanhar ninguém. — Que eu vivo com o mesmo sem-vontade Com que rasguei o ventre à minha mãe Não, não vou por aí! Só vou por onde Me levam meus próprios passos... Se ao que busco saber nenhum de vós responde Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos, Redemoinhar aos ventos, Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, A ir por aí... Se vim ao mundo, foi Só para desflorar florestas virgens, E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem Para eu derrubar os meus obstáculos?... Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós, E vós amais o que é fácil! Eu amo o Longe e a Miragem, Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas, Tendes jardins, tendes canteiros, Tendes pátria, tendes tetos, E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios... Eu tenho a minha Loucura ! Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios... Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém! Todos tiveram pai, todos tiveram mãe; Mas eu, que nunca principio nem acabo, Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções, Ninguém me peça definições! Ninguém me diga: "vem por aqui"! A minha vida é um vendaval que se soltou, É uma onda que se alevantou, É um átomo a mais que se animou... Não sei por onde vou, Não sei para onde vou Sei que não vou por aí!
de 21 a 25 de Março decorrerá, no nosso Agrupamento, a Semana da Leitura. A abertura «oficial» será feita no dia 21 às 9 horas, com a leitura de um poema em todas as salas do Agrupamento. Durante a semana, teremos ainda recitais de poesia, horas de conto, concurso de leitura, maratonas de leitura e um workshop sobre marcadores de livros. Seremos também agraciados com a presença da escritora Conceição Sousa, que apresentará o livro «Eu ou Ela». A semana encerrará com a apresentação da peça «Vaga-Lume» pelo Atelier de Teatro «O Actor das Palavras». Aparece na tua Biblioteca e terás agradáveis surpresas!
Desfruta da leitura porque... «A leitura engrandece a alma e nutre a inteligência»!!!
Nos dias 28 de Fevereiro e 2 de Março, a escritora Maria do Céu Nogueira visitou todas as nossas EB1/JI. Alegre, dinâmica, expressiva e cativante, «apaixounou» todos os nossos alunos com as suas histórias. As escolas EB1/JI Agostinho da Silva e a escola EB1/JI de Pinheiro agraciaram a nossa escritora com interessantes pecinhas de teatro!
Disse Carlos Drumond de Andrade: «Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ANO, foi um indivíduo genial, industrializou a ESPERANÇA, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação... e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui por diante vai ser diferente.»
Só depende de nós... das nossas escolhas... Neste final de 2010, reserva um tempo para reflectires e elimina tudo o que não te deixa feliz. Assim vais sentir-te mais leve e pronto para iniciar um novo ciclo.
A tua Biblioteca Escolar deseja-te um Feliz Natal e um bom Ano Novo de 2011!
Deixamos-te aqui algumas sugestões de leitura nesta época festiva:
Cinco histórias e uma breve peça de teatro que têm em comum a celebração do Natal. Na primeira, o Pai Natal contrata um rapaz muito guloso, que troca as prendas a distribuir; na seguinte, três bruxas reclamam por nunca receberem prendas; quando queremos chegar a horas à nossa terra para celebrar o Natal em família e só temos contratempos, quase choramos de raiva – assim aconteceu com o João Bicudo; o quarto conto relata-nos o milagre dos sacos cheios dos pobres que deram o pouco que tinham; no último conto, um engarrafamento na estrada, em noite de Natal, transforma-se em presépio, com o nascimento inesperado de uma criança. Na peça final, as mulheres dos reis magos também vão adorar o Menino Jesus.
Manuel recorda um Natal muito especial, aquele em que teve a oportunidade de conhecer o pai, há longos emigrado no Brasil. Acompanhamo-lo na descrição da aldeia, Pedra de Hera de seu nome, na transição do Outono para o Inverno, quando a paisagem se tinge de castanho e caem os primeiros flocos de neve, empurrados pelo vento, e na preparação da consoada. As brincadeiras com os amigos, a recolha do musgo, a construção do presépio, a confecção dos fritos e dos doces tradicionais são quadros bem vivos. A chegada do pai, com o forte abraço dado ao filho, e a ceia de Natal, com a reunião da família e dos amigos, constituem momentos de grande autenticidade afectiva naquele mundo rural.
Joana, menina rica e prisioneira no seu jardim, faz amizade com o Manuel, criança órfã e pobre, que vive num estábulo na companhia de uma vaca e de um burro. Todos os dias se encontram e conversam debaixo do cedro. Na noite de Natal, ao aperceber-se de que os pobres não têm presentes, resolve sair para procurar a cabana onde dorme o seu amigo para lhe dar as prendas que tinha recebido. Sente frio e medo, mas não desiste; orientada por uma estrela, penetra no pinhal onde encontra os três reis magos que também se dirigiam para a cabana. Quando ali chegaram, viram um casebre sem porta inundado pela claridade dos anjos; ali estava, deitado na palha, o Manuel. A Joana ajoelhou-se e poisou no chão os presentes.
Este livro conta-te todos os factos festivos que sempre desejaste saber mas estavas demasiado cheio de bacalhau e peru para perguntar. Queres saber uma cantiga de pantomina muito ordinária? Porque é que se come peru no Natal? O que é que a Coca-Cola tem a ver com o fato do Pai Natal?Lê este livro para conheceres a comida das festas, histórias que te causarão arrepios na espinha e crúeis tragédias natalícias. Fica a saber a verdade acerca dos curiosos costumes de Natal, e conhece o pequeno ajudante do Pai Natal... cuja função era ser mau para as crianças que se tinham portado mal. A História nunca foi tão HORRÍVEL!
No âmbito da Feirinha de Natal a nossa Escola foi agraciada com a visita da escritora Ana Vieira Brito, que apresentou a sua obra «Penha, Encanto e Poesia». Eis algumas fotos do acontecimento.